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Brasil resiste pressão e reafirma Belém como capital da COP

Crise de hospedagem e pressão diplomática

A menos de 100 dias da COP30, o Brasil continua enfrentando a crise diplomática centrada nos preços de hospedagem em Belém. Após representantes de 25 países formalizarem queixas sobre tarifas até 15 vezes maiores que o normal, com alguns países pedindo oficialmente para mudar a sede do evento, o presidente da conferência, André Corrêa do Lago, admitiu que "há uma sensação de revolta" e que países alertam sobre ameaças à legitimidade da COP caso delegações não possam participar por questões financeiras.

Resposta brasileira e alternativas emergenciais

Apesar da pressão crescente, Ana Toni, secretária-executiva da COP30, reafirmou que não há plano B: "o governo acredita no plano A". Em resposta a esta pressão, o Pará tem avançado com medidas emergenciais, incluindo novos hotéis, navios de cruzeiro e acordos com a indústria hoteleira, reconhecendo, entretanto, que a legislação brasileira impede controle direto de preços privados. O governo brasileiro montou uma força tarefa para ajudar os países menos desenvolvidos e nações-ilha a encontrar acomodações e garantir que eles estejam presentes. Levantamento do governo apontou que 47 países já informaram ter reservas feitas, cerca de um quarto das quase 200 que fazem parte da cooperação climática dentro da ONU.

Contexto internacional e reforço legal para a COP30

Justamente quando o Brasil precisa de legitimidade internacional para garantir a viabilidade da COP30, a Corte Internacional de Justiça fortaleceu a posição jurídica dos países vulneráveis, determinando que nações ricas têm "obrigações rigorosas" de reduzir emissões e podem ser responsabilizadas por reparações. Embora não vinculante, especialistas afirmam que a decisão tem peso jurídico e político significativo, sendo impossível de ignorar em futuros casos climáticos - contexto que torna ainda mais crítica a participação universal na COP30.

Greenwashing segue em alta

Desconfiança crescente
dos consumidores

Duas frentes distintas evidenciam uma crise de confiança no movimento de sustentabilidade global. No Brasil, pesquisa do Instituto Akatu revela que 6 em cada 10 consumidores desconfiam das alegações ambientais nos produtos, especialmente em setores que mais investem em comunicação verde, como limpeza e eletrônicos. Paradoxalmente, 73% querem punições para empresas que praticam greenwashing e 58% desejam informações transparentes sobre sustentabilidade.

Quem deveria validar, agora é questionado

Contraditoriamente, nos EUA, o procurador-geral da Flórida investiga justamente duas dessas organizações-chave: SBTi e CDP, frameworks globais criados para validar metas climáticas e padronizar divulgações ambientais.
As acusações incluem práticas comerciais enganosas e criação de "ciclos de retroalimentação orientados pelo lucro", questionando se essas entidades, em vez de solucionar o problema da transparência, estariam perpetuando-o.

O dilema da credibilidade

O paradoxo é evidente: enquanto consumidores clamam por mais transparência e frameworks confiáveis, as próprias organizações que deveriam fornecer essa credibilidade estão ameaçadas. Isso sugere que a crise de confiança pode ser mais profunda do que aparenta, atingindo até mesmo os "validadores" do sistema.

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De tendência à realidade: a evolução da agenda de bem-estar animal e saudabilidade

Amadurecimento das tendências

Três notícias de julho demonstram o amadurecimento das tendências de promoção do bem-estar animal e sustentabilidade, refletidas em pressões regulatórias e de mercado emergentes.

Avanço legislativo no bem-estar animal

O governo federal sancionou lei que proíbe testes em animais para cosméticos, apoiada por 1,68 milhão de assinaturas e estabelecendo prazo de dois anos para implementação de métodos alternativos.

Inovação tecnológica contra crueldade animal

Paralelamente, nova tecnologia de "sexagem in-ovo" chegou ao país via granja Raiar, prometendo reduzir o abate cruel de bilhões de pintinhos machos anuais ao identificar o sexo antes da eclosão, quando o animal ainda não sente dor.

Crescimento do mercado de orgânicos

Esses avanços ocorrem em contexto favorável: o mercado de orgânicos movimenta R$ 7 bilhões, com consumo saltando de 15% para 36% dos brasileiros entre 2017-2023. A busca por alimentação saudável e livre de agrotóxicos impulsiona essa evolução, embora preços elevados ainda excluam 54% dos consumidores potenciais da categoria. Estes movimentos exemplificam a natureza evolutiva das pressões por sustentabilidade, que se iniciam de forma pontual, vinculadas a grupos específicos de interesse, até se consolidarem como práticas de mercado e normas legais estabelecidas.

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Na dúvida, não publique: americanos pausam ESG enquanto brasileiros aceleram

Estados Unidos: cautela e desaceleração nos relatórios de sustentabilidade

Enquanto incerteza regulatória paralisa gigantes americanas, empresas visionárias aproveitam o vácuo para liderar, transformando transparência climática em vantagem competitiva.

 

Nos EUA, relatórios de sustentabilidade despencaram 50% no primeiro semestre de 2025 - de 831 para 432 empresas. Gigantes como Adobe, Citigroup, GM, Mastercard e Uber suspenderam publicações, refletindo não o abandono do ESG, mas uma "recalibração estratégica" diante de incertezas regulatórias, especialmente sobre o futuro da Diretiva Europeia de Relatórios de Sustentabilidade.

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